A resposta está em uma tela e numa subtração. Abra Configurações → Sobre o dispositivo → Versão do Android e procure o campo “Atualização de segurança do Android”. A data que aparece ali, comparada com o mês em que você está, diz mais sobre a saúde do seu celular do que o número da versão (12, 13, 14). Se a distância for de até dois meses, o aparelho está sendo cuidado; se passar de um ano, na prática ele já foi abandonado — mesmo que ainda ligue, atualize apps e funcione bem.
Este texto é para quem tem um Android de três, quatro ou cinco anos e quer decidir com critério — não por susto — se continua com ele ou começa a planejar a troca.
Onde fica a data e por que às vezes existem duas
O caminho descrito acima é o do Android puro, e é o que a própria Ajuda do Android documenta: dentro de Sobre o dispositivo ficam, um embaixo do outro, os campos “Versão do Android”, “Atualização de segurança do Android” e “Atualização do sistema do Google Play” (Ajuda do Android, consultado em 01/09/2026). Em aparelhos Samsung, Motorola e Xiaomi os nomes e a ordem dos menus mudam, então o atalho mais rápido é usar a busca dentro das Configurações e digitar “segurança” ou “patch”. O campo pode aparecer como “Nível de patch de segurança” ou “Atualização de segurança”.
A data vem sempre no formato ano-mês-dia, e o dia importa. O Google publica dois níveis por mês: um terminado em -01 e outro em -05. Em agosto de 2026, por exemplo, os níveis foram 2026-08-01 e 2026-08-05. O boletim mensal explica a diferença com todas as letras: níveis de patch -05 ou posteriores “corrigem todos os problemas associados ao nível -05 e a todos os níveis anteriores”, enquanto o nível -01 cobre só a primeira parte da lista — o -05 é o que acrescenta as falhas de kernel e dos fabricantes de chip (Boletim de Segurança do Android, consultado em 01/09/2026). Ou seja: um aparelho marcado com 01 está no mês certo, mas com metade da lista.
A conta que importa: quantos meses de defasagem
Não existe um número oficial que separe “atrasado” de “abandonado”. O corte abaixo é o critério que eu uso, e explico o porquê logo depois da tabela.
| Defasagem (data do patch × mês atual) | Como eu leio | O que faço |
|---|---|---|
| 0 a 2 meses | Normal, dentro do ritmo do fabricante | Nada além de aceitar as atualizações quando chegarem |
| 3 a 6 meses | Fabricante em ciclo trimestral ou fila lenta | Procuro atualização manual, confiro se o modelo saiu de linha |
| 7 a 12 meses | Provável fim de fila silencioso | Começo a planejar a troca e a reduzir o que guardo no aparelho |
| Mais de 12 meses | Encerrado na prática | Trato o aparelho como sem suporte (ver última seção) |
A tolerância de dois meses existe porque o mesmo patch chega em ritmos diferentes: a própria Samsung avisa que a data de entrega muda conforme a região, a operadora e o modelo, e que uma atualização de sistema em curso pode empurrar o patch do mês para depois (Samsung Security Updates, consultado em 01/09/2026). Um ou dois meses de atraso não significam abandono, significam fila.
Já o corte de doze meses vem da forma como o suporte termina: sem anúncio. Quando o Google para de listar uma versão nos Boletins de Segurança do Android, ela passa a ser considerada fim de vida (endoflife.date, atualizado em 16/06/2026, consultado em 01/09/2026). Dá para conferir isso na fonte primária, e é uma checagem que qualquer pessoa consegue fazer: o boletim de abril de 2025 lista as correções para Android 13, 14 e 15 — o 12 simplesmente deixou de aparecer. Esse silêncio marcou o fim do suporte em 31 de março de 2025, cerca de 3,5 anos após o lançamento da versão, e 3 anos no caso do Android 12L (Android Authority, 14/04/2025, consultado em 01/09/2026).
Por que a versão do Android engana
Aqui está a parte que quase nenhum texto sobre o assunto mostra: os rastreadores de fim de vida discordam entre si. O endoflife.date, em junho de 2026, listava o Android 17 e o Android 16 com cobertura de segurança ativa, o Android 13 encerrado em 2 de março de 2026 e o Android 12 encerrado em março de 2025. Já o IsItPatched, em agosto de 2026, registrava 0 linhas de versão com suporte e 15 encerradas, sendo a mais recente o Android 13 (2 de março de 2026) e a mais antiga o Android 4.4 (1º de outubro de 2017) (IsItPatched, agosto de 2026, consultado em 01/09/2026).
Não é uma contradição de fato — é diferença de recorte de cada base. Mas serve de alerta: saber qual versão você tem não responde à pergunta. Uma frase do próprio endoflife.date explica isso melhor que qualquer resumo: “o Android não tem uma política de suporte documentada”. Quem entrega o patch no fim da linha é o fabricante do seu modelo, não a versão do sistema — e cada fabricante publica o prazo dele em separado, como você vê na próxima seção.
Vale ainda lembrar que ficar numa versão encerrada custa mais do que a lista pública mostra: segundo a Android Authority, engenheiros do Google corrigem muitos bugs e falhas de segurança que sequer aparecem no boletim mensal.
Cuidado com a confusão mais comum
Quanto tempo o seu modelo deveria receber
Se a data do seu aparelho está atrasada, o passo seguinte é descobrir se isso é fila ou fim. E aqui a única fonte que vale é a página do fabricante, porque o prazo é dele — não do Google, não da versão do Android. Os dois maiores publicam o número:
| Fabricante e linha | Prazo publicado pelo próprio fabricante | Onde está escrito |
|---|---|---|
| Google Pixel 8 e posteriores | 7 anos de versões do Android e de atualizações de segurança | Ajuda do Google Pixel |
| Google Pixel 6 e 7 (inclusive a e Pro) | 5 anos de versões e de segurança | mesma página |
| Google Pixel 5a e anteriores | Encerrados: não recebem mais versão nem patch | mesma página |
| Samsung, da série Galaxy S24 em diante | até 7 anos de atualizações de segurança, política anunciada em janeiro de 2024 | Samsung Security Updates |
| Samsung, linhas anteriores e intermediários | prazo menor, e o ritmo cai de mensal para trimestral antes de acabar | mesma página |
Ambas as páginas foram consultadas em 01/09/2026. A contagem do Pixel começa na data em que o modelo entrou à venda na loja do Google nos Estados Unidos; a da Samsung, no lançamento do modelo.
Duas coisas nessa tabela contrariam o que se lê por aí. A primeira: no Pixel, versão do sistema e patch de segurança têm o mesmo prazo — não existe aquele ano extra de segurança depois que as versões param, que é a regra em outras marcas. A segunda: quem tem um Pixel 8 recebe atualização até sete anos depois da compra, e não três, como ainda circula em listas antigas escritas antes da mudança de política.
Para o resto do mercado não existe número universal, e essa ausência já é uma resposta. Procure “atualizações de segurança” no site do fabricante do seu modelo: quem tem prazo longo faz questão de anunciá-lo em página própria. Se você não achar nada, o mais provável é que não haja compromisso publicado — e aí a data em Configurações é o seu único termômetro.
A conta, em qualquer marca, parte do lançamento do modelo, não da data em que você comprou. Quem comprou um aparelho de entrada já com dois anos de mercado pode estar fora do prazo desde o primeiro dia. Se o seu caso é Samsung, os prazos mudam bastante conforme a linha e o ano — detalhei isso por linha aqui .
Se o suporte acabou e você vai continuar usando
Trocar de celular nem sempre é opção, e um aparelho sem patch não vira uma bomba da noite para o dia. Dá para reduzir bastante o risco mudando o que o aparelho carrega:
- Mantenha os apps e a Play Store em dia. Os aplicativos continuam se atualizando mesmo com o sistema parado, e boa parte dos ataques passa por eles.
- Concentre a navegação em um navegador que ainda receba atualizações pela loja, em vez do navegador embutido do fabricante.
- Tire do aparelho o que é caro perder: apps de banco e o aplicativo de verificação em duas etapas ficam melhor num celular com suporte ativo.
- Não instale APK fora da loja. Sem patch, você depende inteiramente de não abrir a porta.
- Desinstale o que não usa. Menos apps instalados, menos software desatualizado rodando.
- Considere aposentar o aparelho para uma função secundária — câmera, música, despertador, controle da TV, Wi-Fi de casa — e deixar a vida financeira em outro.
Se o motivo de você estar pensando em trocar for lentidão logo depois de uma atualização, vale separar as coisas: isso costuma ter outra causa e outra ordem de solução .
Os três erros de leitura dessa tela
Fechando pelo avesso: em vez de repetir o passo a passo, vale nomear o que costuma dar errado na hora de ler essa tela, porque os três erros levam à conclusão oposta da correta.
O primeiro é olhar o número da versão e parar por aí — um Android 14 abandonado pelo fabricante está pior do que um Android 13 que ainda recebe patch todo mês. O segundo é confundir os dois campos vizinhos e comemorar a “Atualização do sistema do Google Play”, que continua chegando em aparelho já encerrado. O terceiro é confiar numa lista de internet sobre quanto tempo o seu modelo dura, quando o fabricante publica esse número na página dele — e, no caso do Pixel, o que circula por aí está anos desatualizado.
Ler certo custa uma subtração: a data que está na tela menos o mês de hoje. Se der até dois meses, você não tem assunto. Se der mais de seis e continuar igual na próxima vez que você olhar, a conversa deixou de ser sobre atualização e passou a ser sobre prazo de troca.